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11 Jan
Inverno, Neve, Turismo e Viagem

RELATO 2 – Chegando no Polo Norte

Finalmente, cheguei! E nem tô acreditando! Depois de horas e horas de voo, chegou a hora de conhecer Murmansk, uma das maiores cidades do Circulo Polar Ártico, localizada em território russo bem no topo do planeta. Primeira vez na Rússia, primeira vez no Polo Norte! 🙌

O voo foi bem tranquilo, com duração de duas horas a partir de São Petersburgo. Tudo normal. Mas não posso deixar de registrar a experiência totalmente marcante durante os primeiros minutos por aqui. Vale até como dica para quem quiser vir explorar a região também.

Ao pousarmos no aeroporto de Murmansk, fomos direto para um ônibus com uma boa quantidade de neve acumulada no teto que nos levou para o desembarque. A temperatura no momento beirava os -10°C e já eram quase 20h. E o mais engraçado: esse ônibus não andou nem 20 metros e já parou para todos descerem. Era muito perto, mas o frio é tanto que a preocupação da equipe de solo é fazer os passageiros caminharem o mínimo possível naquele vento todo (e diga-se de passagem, que vento!).

Desci, fiquei ali esperando a bagagem e olhando pra uma placa na parede que dizia “Welcome to Aurora Village” e também uma propaganda do “visitmurmansk.info”. Gostei. Eram as únicas informações em inglês, aliás, eram as únicas que eu conseguia ler na verdade. Olhei em volta e notei que eu parecia ser o único turista internacional daquele voo. Mas tudo bem, faz parte. A bagagem chegou normalmente e lá fui eu pra saída.

Foi nessa hora que as coisas tomaram, digamos, um outro rumo. Uma placa dizai “выход” com um EXIT embaixo e imaginei: bom, agora é só sair daqui da sala das bagagens, vai ter o pessoal com as plaquinhas esperando a galera, e aproveito e peço informações para saber como faço pra chegar no centro da cidade (eu tinha ouvido falar que tinha um ônibus pra isso). Simples assim. Vale destacar que o aeroporto fica a 24km do centro aproximadamente.

Empurrei a porta de saída e quando vi, eu estava fora do aeroporto. Pisando na neve, aquele vazio, nada de salas, nada de nada. Apenas algumas pessoas indo para um estacionamento próximo. Pensei, “é só voltar lá pra dentro, acho que saí errado”. Aí na porta estava escrito que o retorno era proibido. Eu não acreditei, mas estava perdido no próprio aeroporto!

Tentei não ficar tenso e decidi caminhar beirando a parede do aeroporto, pois eu sabia que uma hora apareceria uma entrada, afinal, se aquela porta era proibida, por onde as pessoas entravam? E por sorte, uns 50 metros mais a frente, tinha mesmo a tal porta. Entrei, vi os balcões de check-in e senti um alívio.

Fui direto conversar com uma moça que estava passando as malas no raio-X, bem ali mesmo na entrada. “Excuse-me, please, could you help me?”. A moça abriu um olhão, fez um sinal negativo com a mão e percebi que ela não falava inglês. Ela ainda foi caminhando em direção a outro rapaz que ficava ali também na área de checagem de bagagens, falou algo pra ele, ele olhou pra mim, balançou a cabeça e me avisou: “no english”. Cara, senti um aperto!

Nisso, os dois ficaram parados com uma cara do tipo: “senhor, pode sair, não podemos fazer nada”. Aí me lembrei que tinha comprado um chip da Rússia em São Petersburgo e tinha internet no celular. Bora apelar pro Google Tradutor. E por sorte, o rapaz das bagagens também estava pensando nisso, e quando fui mostrar pra ele a mensagem, ele também estava na tela do Translator. Foi um tal de mensagem pra lá e pra cá até ele conseguir me explicar que eu precisava pegar o ônibus 106, que parava em um ponto de ônibus bem ali perto da entrada do aeroporto. E lá fui eu pra esse tal ponto.

Fumaça saindo da boca, aquele gelo, nenhuma proteção e fiquei ali pensando: que hora esse ônibus vem? Nisso começa a encostar um, nem vi o número, mas vi duas senhoras se aproximando e tentei entrar também. Nisso, as portas se fecharam, e essas senhoras, lá de dentro, só fizeram um sinal negativo com a cabeça pra mim. Até agora não entendi porque eu não podia entrar naquele ônibus, mas que sorte que não entrei, pois não era ele não. Dez minutos depois, surgiu o tal do 106 do meio da neve!

Só eu entrei nele. Sozinho, um ônibus só pra mim (aliás, um microônibus bem simples). O motorista, de cara fechada e com um bigode bem marcante, me falou algo em russo que acho que era tipo “pra onde você vai” ou então me avisando qual o valor da passagem, sei lá. O amigo lá das bagagens tinha me avisado que esse ônibus custava 96 rublos e já dei uma nota de 100 logo, peguei o troco e sentei. E que tensão: eu era o único passageiro mesmo, no meio do nada, pegando um ônibus à noite, na Rússia, rumo a uma cidade que eu nunca vi na vida. Pode parecer besteira, mas com aquele frio, vidros laterais do ônibus congelados, e sem poder falar com ninguém, a sensação de solidão e insegurança é extremamente forte.

O motorista deu partida, acendeu um cigarro, e bora lá pra Murmansk. Me bateu aquela desconfiança: será que é esse ônibus mesmo? LIguei o Waze, Coloquei o endereço do hotel e fui acompanhando pra ver se estávamos no caminho certo. Uma estrada escura, árvores secas, e eu não via nada de luzes da cidade. A partir de algumas paradas escondidas no meio da rodovia, algumas pessoas entraram no ônibus e não fui sozinho até o centro. Mas confesso que eu não me movia. A sensação de ainda estar perdido era grande.

Finalmente, luzes de natal começaram a aparecer nas avenidas e notei que estava chegando mesmo em Murmansk. Tinha até placa de boas vindas, mas ninguém tirando fotos nela. Aliás, não tinha quase ninguém nas ruas. Eu ia passando e vendo aqueles letreiros de neon nos estabelecimentos e pensando: gente, o que será que é isso? Farmácia, mercado ou restaurante? O alfabeto cirílico não é nada deduzível. Me senti realmente analfabeto. Tudo parece desenho apenas.

Enfim, avistei o hotel que eu iria ficar, mas não sabia como pedir pro motorista parar. Comecei a escrever no Google Tradutor e ia clicar no áudio pra ele ouvir enquanto dirigia, mas acabou nem precisando: o ponto final era justamente quase em frente ao hotel. Dei graças a Deus!

Quando cheguei finalmente no hotel, cansado depois de todas as viagens e também agitado com a situação toda desse desembarque, ouvir a recepcionista falar em inglês soou como se fosse em português. Cara, nunca me senti tão confortável com um idioma que não fosse o português, sério mesmo! E que vista incrível da janela desse hotel que escolhi, o Azimut, considerado o mais alto do Círculo Polar Ártico. E com o clima de natal, a imagem ficou ainda mais bonita!

E o que tiro de lição depois de tudo isso quando o assunto é chegar no polo norte russo pela primeira vez? 

– Tenha um SIM CARD da Rússia com internet;

– Tenha Waze, Google Maps, o que for;

– Cigarro, pelo menos por aqui, parece liberado nos ônibus;

– Já tinha ouvido falar que em Moscou é meio difícil falar em inglês com os russos, então imagina aqui em Murmansk, no meio do gelo? Se no aeroporto já foi assim, imagina nas ruas? Então, Google Tradutor é seu melhor amigo na viagem;

– Pense duas vezes antes de sair na porta com “выход”. Você pode na verdade é ficar sem saída, isso sim!

Bom, mas agora já era. Oficialmente, em solo russo, e tudo pronto pra começar essa viagem que tanto planejei um dia fazer. Os próximos dias serão provavelmente de fotos de paisagens ‘branquinhas’ nas redes sociais!

Valeu a todos pela torcida e pelas mensagens. CHEGUEI! Projeto #CrisnoPoloNorte ativado. Que venham as auroras boreais (e que eu tenha sorte do tempo não ficar apenas nublado nos próximos dias, pelo amor de Deus). Pretendo compartilhar sempre que possível as experiências que estou vivendo por aqui!

E bora lá!

>> E para ler os outros relatos do #CrisnaEstrada na Rússia, basta clicar nos links abaixo:

Relato 1 – Voo para São Petersburgo

Relato 3 – 1° dia em Murmansk, Rússia

Relato 4 – A primeira aurora boreal a gente nunca esquece

Relato 5 – 2° e 3° dia em Murmansk, Rússia

Relato 6 – Chegando em Moscou, Rússia

Relato 7 – Um sábado em Moscou, Rússia

Relato 8 – Tchau, Rússia

Acompanhe também todos os registros do projeto #CrisnaEstrada via Instagram!

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SOBRE O
PROJETO

“Um professor itinerante que tem um prazer enorme em compartilhar conhecimento pelo Brasil e mundo”. Esse é o projeto #CrisnaEstrada, e nesse espaço você encontrará, a partir de agora, um pouco dos bastidores dessas viagens que faço a trabalho e/ou a passeio. Trarei dicas, curiosidades e histórias dos mais variados destinos. O mundo visto por um palestrante, professor e turista que ama viajar. Enjoy!

#CRISNA
ESTRADA Diretamente do Instagram